segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os trinta e a montanha russa...



Não é uma peculiaridade das mulheres de trinta anos terem uma vida agitada, conturbada, cheia de reveses. É uma característica intrínseca à  vida. Antes dos trinta, podemos dizer que a história de uma mulher é como uma roda gigante, ora se está por cima, ora por baixo e o mundo sempre dando voltas, devagar, pacientemente. 

Montanha russa é como eu defino a vida de uma mulher depois dos trinta. Continuamos sempre em altos e baixos, mas de forma mais intensa, mais rápida e mais emocionante. Temos pressa em curtir o que nos resta de juventude. Dez, quinze, (com muita sorte) vinte anos de juventude ainda nos restam? Então, temos necessidade de momentos  intensos.

In.ten.si.da.de: Qualidade ou condição de intenso; Grau muito elevado (de força, energia, potência, atividade)¹. Normalmente confundida com exagero, badalação, ousadia, insensatez... Esta confusão, ou medo de assumir que o tempo passou, leva muitas balzaquianas a agirem como adolescentes tardias. Fujo disso!

A intensidade aqui está relacionada ao estado emocional potente quando realizamos algo. Sim, é parecido com paixão adolescente, porém, menos pueril. É um sentimento mais profundo, analisado, pleno. Não é uma fase de descobertas. É um período de seleção do que já conhecemos, uma apuração, um aperfeiçoamento do que gostamos.

Ouço muita gente dizer que a vida começa aos 30 ou aos 40. Não acredito nisso. A vida começa quando compreendemos que somos um ser individual e passamos a buscar esta individualidade.  O que acontece aos 30 e, talvez, se complete aos 40 (ainda não cheguei lá para saber) é a compreensão do que vivemos e o tão sonhado encontro com nós mesmos.

Se sou mais feliz agora que antes? Se sou menos que serei daqui dez anos? Acho que não. Cada período tem a dose de felicidade conveniente. O que difere uma balzaquiana das outras mulheres é a consciência da felicidade e a intensidade com que vivenciamos cada momento.


 Referências
 1. Mini Aurélio Digital, 2004