domingo, 15 de maio de 2011

Sobre sonhos e caminhos



Uma carreira promissora, um relacionamento estável e uma vida razoavelmente confortável. O atual status da minha vida parecia uma realidade inalcançável há cinco anos, quando passei por um dos períodos mais turbulentos da minha vida. Quando olho para trás, vejo que evoluí muito, tanto no âmbito profissional, quanto no emocional. Mas, se olho para frente, vejo o quando ainda preciso evoluir para alcançar o que realmente desejo. Mas... qual é mesmo o meu desejo?

Muitas vezes temos a sensação de nunca alcançar o que desejamos. Trabalhamos duro e não nos satisfazemos com o resultado. Investimos anos em relacionamentos amorosos que não saem do lugar. Planejamos viagens e finais de semanas perfeitos que nunca acontecem. Por que? Talvez porque não estejamos respeitando nossas próprias vontades. Talvez porque nem conheçamos nossas vontades.

Eu fui criada para ser uma ótima dona de casa, uma esposa dedicada e uma mãe zelosa. Eu odeio serviços domésticos, me divorciei aos 28 anos e ainda não tenho filhos. Eu segui a ordem social para a qual fui doutrinada e deu tudo errado. Aquela não era a vida que eu queria. No fundo eu sabia disso. Mas, como os outros caminhos eram desconhecidos, resolvi seguir os passos da minha mãe porque, afinal, eu já sabia aonde dava.

Frustração. Essa era a palavra que definia minha vida nesse período. Muitos sonhos estavam sendo deixados para trás. Eu pensava que parar de sonhar fazia parte de crescer, de amadurecer. Não! Abandonar os próprios sonhos é se entregar, se deixar vencer. Amadurecer é conseguir diferenciar sonhos de utopias. É perceber o que se pode alcançar e, o mais importante, o que se quer alcançar. E essa não é uma tarefa fácil. Fiquei quatro anos no divã para conseguir compreender que minha insatisfação pessoal era fruto de escolhas mal feitas. Escolhas que preteriam a vontade dos outros aos meus reais desejos.

Hoje, com a maturidade dos quase trinta, eu sei que o caminho conhecido nem sempre é o que me leva aonde quero. Às vezes uma estrada esburacada ou uma trilha na serra são mais promissoras do que seguir o fluxo de carros na autoestrada.