quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Pequenos, inocentes e quase bobos


O domingo tinha tudo para ser bom: férias, sol, crianças, museu, lanche, micos-estrela, macacos-prego, cotias… até que apareceu um malvado ônibus azul. E debaixo dele surge um inocente, quase bobo, poodle. O sinal estava fechado e eu, desesperada dentro do carro, torcia para que o cãozinho peludo saísse debaixo do ônibus. Mas ele, na sua inocência de cão de apartamento, continuava a explorar o território desconhecido.

O sinal abriu e o ronco do motor assustou o bichinho branco, que correu em disparada e foi atingido pela roda traseira do ônibus. Eu, com meu amor quase bobo aos animais, saí do carro para tentar socorrer aquela bolinha de pelos que chorava de dor e fazia sofrer todos que viam a cena. Num desvario, tentei carregar o pequenino que, num ato desesperado, mordeu minha mão com toda força que tinha. Ele conseguiu transmitir a mim todo o seu desespero. Não soltava minha mão de forma alguma. Todos olhavam atônitos de dentro do carro e não conseguiam se mover para me tirar do apuro em que eu havia me metido.

Não sei como, consegui tirar os dentes do poodle de minha mão e o soltei, quase morto, à beira da calçada. Entrei no carro desesperada, com as mãos sangrando… não mais que meu coração, ao ver aquele pequeno, inocente e quase bobo animalzinho agonizando à beira da calçada.

No caminho do hospital eu chorava de dor e de pena. Refleti como somos cruéis com a natureza à nossa volta. Lembrei-me do macaco Chico, morto três meses depois de ter sido retirado de seu lar pela Polícia Florestal e colocado em uma reserva ambiental. Veio também em minha mente o papagaio da Dona Alzira que, depois de vinte anos de cuidados e convivência, o Ibama queria lhe tomar. Misturado a tudo isso a cena do atropelamento ia e vinha. O motorista do ônibus sequer desviou de seu caminho ou parou para ver o que tinha acontecido. Parecia ter passado por cima de um saco de lixo.

Hoje, fico imaginando de onde fugiu aquele pequeno. Quem está chorando por ele ou mesmo se um milagre aconteceu e ele se salvou. Ouvi sermões de médico, irmã, mãe e até de criança por ter tentado salvar aquele cão. Não importa! Segui meu coração e fiz o que achava certo. Mesmo tendo levado ponto, tomado 12 injeções, tendo tido que ficar de molho por uma semana nas férias, tenho o coração tranqüilo por ter tido coragem de tentar salvar uma vida. Mesmo que seja a de um pequeno, inocente e quase bobo poodle branco.