terça-feira, 12 de julho de 2011

Autoajuda: American Brainwashing




Outro dia eu estava analisando que tenho grande chance de ficar rica. Meu namorado é um sujeito muito culto e inteligente e o meu quociente intelectual não é de se jogar fora. Já que casais inteligentes enriquecem juntos, pensei nessa possibilidade. Em um ano de relacionamento eu consegui juntar... dois reais e trinta centavos no cofrinho. Eh... acho que deixei passar alguma coisa do livro.

Resolvi, então, mudar de estratégia e preguei a foto de uma mansão na porta do armário, para olhar para ela todos os dias e ativar a lei da atração, afinal, o segredo do sucesso é fazer o universo conspirar a seu favor. Nada até agora. Acho que também não entendi esse livro.

Brincadeiras à parte, constatei que nossa sociedade foi invadida pelos livros de autoajuda e por vídeos motivacionais. Ambos tem o mesmo objetivo: fazer com que as pessoas percebam que elas também podem vencer. Um objetivo nobre, não? Nem um pouco!

Esse material de “autoajuda” nos enfia o American way of life (estilo de vida americano) goela abaixo, a fim de fazer-nos uma lavagem cerebral, ditando-nos padrões sociais. A felicidade consiste basicamente em ter casa própria, carro zero, filhos fazendo intercâmbio e um grill do George Foreman.

Parafraseando “o cara”, nunca na história da humanidade escreveu-se tanta bobagem quanto agora. E o pior: nunca vendeu-se tanta bobagem!  A classe média brasileira, que suponho ser a consumidora dos livros motivacionais, sempre se inspirou em modelos sociais externos, o que gera uma desvalorização da cultura nacional, uma vez que as classes mais baixas copiam o padrão de comportamento da classe média.

Essa supervalorização do que vem de fora já proporcionou micos históricos. Conta-se que, em 1808, quando a família real portuguesa chegou aos Brasil, as mulheres da nobreza desembarcaram com turbantes na cabeça, devido a uma epidemia de piolhos no navio. O turbante servia para esconder os cabelos cortados. As mulheres da alta sociedade colonial brasileira aderiram ao turbante entendendo que se tratava da nova moda na Europa.

Nosso natal, apesar de ser no verão, tem neve. Nossos centros comerciais se chamam shopping, apesar dessa palavra não ter esse significado em inglês. Nossos relatórios semanais chamam-se follow-ups e nossos especialistas agora são experts.  Até quando, Brasil, vamos ficar usando turbantes em cabelos compridos?  Até quando vamos exportar essa literatura de autoajuda e esse comportamento motivacional que subestimam nossa capacidade mental?