quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Por trás do controle

João se surpreendeu ao ver Amanda sentada no chão da garagem, aos soluços, segurando o controle remoto do portão que não funcionava. A cena não fazia o menor sentido para ele: como uma pessoa pode ser tão sensível a ponto de chorar por isso? O que João não sabia era o que vinha por trás daquele controle.

Amanda havia acordado um pouco atrasada e decidiu que tomaria café na padaria, próximo ao local onde pegaria carona com sua colega de trabalho. Para tanto, ela preferiu pegar um ônibus, pois faria em dois minutos um trajeto que, a pé, gastaria quinze.

Antes, porém, Amanda precisava jogar o lixo fora e desceu pela garagem do prédio. Estava chovendo e, no primeiro passo que deu pela rampa, ela se viu esparramada no chão. Ficou brava, obviamente, mas se levantou, limpou a roupa, pegou os sacos, pôs no lixo e tomou o ônibus. Ao se aproximar da padaria deu sinal. O motorista não parou. O ponto de ônibus havia sido retirado do local semanas antes. O tempo que ela economizou no trajeto ela gastou se deslocando do ponto onde desceu até o local marcado com a amiga. Foi trabalhar sem o café da manhã.

Chegando no trabalho Amanda descobriu que seu melhor cliente havia desistido de um grande contrato. Ficou mal, mas tentou não se deixar abalar, afinal, tinha novos contratos em vista.

Nossa quase heroína tinha uma consulta marcada com seu ginecologista às cinco e meia tarde. Calculou sair do trabalho as quatro. Dez para cinco ela ainda estava numa reunião com o chefe (que havia começado às duas). Saiu feito uma louca do escritório, pois precisava passar em casa, tomar banho e pegar o carro, porque tinha um evento para ir à noite.
Em tempo recorde estava pronta. Desceu para a garagem, deu partida no carro e ele não funcionou. Tentou mais algumas vezes e nada. Cancelou com o médico e ligou desesperada para o namorado – João – que partiu em seu socorro. Meia hora depois ele buzina na porta da garagem. Quando Amanda tenta abrir o portão, o controle não funciona. Ela abre o controle na tentativa de consertá-lo e ele se desmonta em sua mão.

Vencida, ela se ajoelha no chão, como quem aceita a derrota, e cai no choro.

Por trás do controle


João se surpreendeu ao ver Amanda sentada no chão da garagem, aos soluços, segurando o controle remoto do portão que não funcionava. A cena não fazia o menor sentido para ele: como uma pessoa pode ser tão sensível a ponto de chorar por isso? O que João não sabia era o que vinha por trás daquele controle.

Amanda havia acordado um pouco atrasada e decidiu que tomaria café na padaria, próximo ao local onde pegaria carona com sua colega de trabalho. Para tanto, ela preferiu pegar um ônibus, pois faria em dois minutos um trajeto que, a pé, gastaria quinze.

Antes, porém, Amanda precisava jogar o lixo fora e desceu pela garagem do prédio. Estava chovendo e, no primeiro passo que deu pela rampa, ela se viu esparramada no chão. Ficou brava, obviamente, mas se levantou, limpou a roupa, pegou os sacos, pôs no lixo e tomou o ônibus. Ao se aproximar da padaria deu sinal. O motorista não parou. O ponto de ônibus havia sido retirado do local semanas antes. O tempo que ela economizou no trajeto ela gastou se deslocando do ponto onde desceu até o local marcado com a amiga. Foi trabalhar sem o café da manhã.

Chegando no trabalho Amanda descobriu que seu melhor cliente havia desistido de um grande contrato. Ficou mal, mas tentou não se deixar abalar, afinal, tinha novos contratos em vista.

Nossa quase heroína tinha uma consulta marcada com seu ginecologista às cinco e meia tarde. Calculou sair do trabalho as quatro. Dez para cinco ela ainda estava numa reunião com o chefe (que havia começado às duas). Saiu feito uma louca do escritório, pois precisava passar em casa, tomar banho e pegar o carro, porque um evento para ir à noite. Em tempo recorde estava pronta. Desceu para a garagem, deu partida no carro e ele não funcionou. Tentou mais algumas vezes e nada. Cancelou com o médico e ligou desesperada para o namorado – João – que partiu em seu socorro. Meia hora depois ele buzina na porta da garagem. Quando Amanda tenta abrir o portão, o controle não funciona. Ela abre o controle na tentativa de consertá-lo e ele se desmonta em sua mão.

Vencida ela se ajoelha no chão, como quem aceita a derrota, e caí no choro.