Não é uma peculiaridade das mulheres
de trinta anos terem uma vida agitada, conturbada, cheia de reveses. É uma característica
intrínseca à vida. Antes dos trinta,
podemos dizer que a história de uma mulher é como uma roda gigante, ora se está
por cima, ora por baixo e o mundo sempre dando voltas, devagar, pacientemente.
Montanha russa é como eu defino a
vida de uma mulher depois dos trinta. Continuamos
sempre em altos e baixos, mas de forma mais intensa, mais rápida e mais
emocionante. Temos pressa em curtir o que nos resta de juventude. Dez, quinze, (com
muita sorte) vinte anos de juventude ainda nos restam? Então, temos necessidade
de momentos intensos.
In.ten.si.da.de: Qualidade ou
condição de intenso; Grau muito elevado (de força, energia, potência,
atividade)¹. Normalmente confundida com exagero, badalação, ousadia,
insensatez... Esta confusão, ou medo de assumir que o tempo passou, leva muitas
balzaquianas a agirem como adolescentes tardias. Fujo disso!
A intensidade aqui está
relacionada ao estado emocional potente quando realizamos algo. Sim, é parecido
com paixão adolescente, porém, menos pueril. É um sentimento mais profundo, analisado,
pleno. Não é uma fase de descobertas. É um período de seleção do que já conhecemos,
uma apuração, um aperfeiçoamento do que gostamos.
Ouço muita gente dizer que a vida
começa aos 30 ou aos 40. Não acredito nisso. A vida começa quando compreendemos
que somos um ser individual e passamos a buscar esta individualidade. O que acontece aos 30 e, talvez, se complete
aos 40 (ainda não cheguei lá para saber) é a compreensão do que vivemos e o tão
sonhado encontro com nós mesmos.
Se sou mais feliz agora que antes?
Se sou menos que serei daqui dez anos? Acho que não. Cada período tem a dose de
felicidade conveniente. O que difere uma balzaquiana das outras mulheres é a
consciência da felicidade e a intensidade com que vivenciamos cada momento.
Referências
1. Mini Aurélio Digital, 2004









