Ele chega sutil, como quem não quer nada, e se estabelece sem que você perceba. O tempo passa e evidências começam a aparecer, mas você não acredita, nega! Demora um pouco para você descobrir que há algo errado e mais ainda para assumir para si e para os outros. Assim é o assédio moral, um mal que atinge cerca de 36% dos trabalhadores no Brasil.
O assédio moral é definido por especialistas como a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Pode acontecer de três formas:
- Descendente: é a forma mais comum. Ocorre de cima bara baixo, ou seja, da chefia para seus subordinados. Seu objetivo é que o trabalhador produza mais por menos, sempre dando a entender que o funcionário não cumpre seus objetivos.
- Paritário: acontece de forma horizontal, quando um grupo isola um membro com o objetivo de eliminar concorrentes. Acontece, principalmente quando o indivíduo se destaca perante seus superiores.
- Ascendente: é a forma mais rara do assédio, acontecendo de forma vertical de baixo para cima. É mais difícil de acontecer pois geralmente é praticado por um grupo contra a chefia, já que dificilmente um subordinado isoladamente conseguiria desestabilizar um superior.
O assédio moral segue um padrão de comportamento que pode ter pequenas variações, mas, em suma, segue a sequência abaixo:
- Escolher a vítima e isolar do grupo.
- Impedir de se expressar e não explicar o porquê.
- Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos pares.
- Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
- Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
- Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool.
- Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.
A explicitação do assédio moral acontece através de gestos e condutas abusivas e constrangedoras como humilhar repetidamente, inferiorizar, amedrontar, menosprezar ou desprezar, ironizar, difamar, ridicularizar. Atitudes como risinhos, suspiros, piadas jocosas relacionadas ao sexo, ser indiferente à presença do outro, estigmatizar os adoecidos pelo e para o trabalho e colocá-los em situações vexatórias são comuns no assédio moral.
Outras formas de explicitação do assédio são falar baixinho acerca da pessoa, olhar e não ver ou ignorar sua presença, rir daquele que apresenta dificuldades, não cumprimentar, sugerir que peçam demissão, dar tarefas sem sentido ou que jamais serão utilizadas ou mesmo irão para o lixo, dar tarefas através de terceiros ou colocar em sua mesa sem avisar, controlar o tempo de idas ao banheiro, tornar público algo íntimo da vítima, não explicar a causa da perseguição, difamar e ridicularizar.
O assédio moral pode causar uma série de consequências negativas para a saúde física e mental da vítima, tais como crises de choro, dores generalizadas, palpitações, tremores, sentimento de inutilidade chegando, em casos mais extremos, ao suicídio.
O que muitas pessoas não sabem é que este tipo de assédio é crime previsto no código penal com base na lei n° 4.742, de 2001 e pode causar a detenção de três meses a um ano e multa.
É lamentável perceber que, com a alta competição no mercado de trabalho, o assédio moral tem aumentando em grande proporção e sendo aceito de forma passiva tanto por por trabalhadores quanto por empregadores. Em algumas organizações o assédio moral se estabelece na estrutura da empresa, tornando o ambiente de trabalho hostil e insalubre, prejudicando o rendimento dos funcionários e, consequentimente, ao faturamento da empresa.
Fontes:

É realmente lamentável tamanha falta de respeito de um ser humano com outro!
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